terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Nossa lingua estrangeira




ILE-IFE, NIGÉRIA. Há 800 anos, Gengis Cã encomendou aos povos submetidos uma escrita para a sua língua, contratou letrados e difundiu idiomas espalhados pela Rota da Seda, facilitando a administração do maior império em terras contínuas que o mundo já viu, e não, como costumamos dizer, “semeando o terror”. Os mongóis nos ensinaram que governar, mais que impor a própria língua, é beneficiar-se da comunicação com os povos em contato: reunir para reinar.

Difundir e aprender um idioma é recurso para os mais diversos fins políticos, o que devia ser mais debatido nas aulas de língua estrangeira. Fala-se hoje em intercâmbio cultural, e as relações comerciais sempre são uma motivação legítima. O Mercosul promoveu o estudo de espanhol e português, proveito mútuo que ultrapassa o mero jogo de forças internacional (ainda que atribuições recíprocas de hermanos e macaquitos nos lembrem que não se trata de um mar de Rosas). Mas a cooperação não é a norma nas políticas de língua estrangeira, e a difusão das línguas européias modernas é semente e fruto da empresa neocolonial, ao lado do aprendizado da língua do dominado. Walter Rodney mostrou o papel da Aliança Francesa como braço lingüístico da dupla tarefa de explorar o trabalho africano e enfrentar a influência britânica, e a outra face da mesma moeda é ilustrada pelo sistema Berlitz, mais conhecido pelos livrinhos de viagem e o método de imersão. Graças à ligação de Charles Berlitz com o serviço de inteligência do exército norte-americano, o sistema foi usado por agentes disfarçados, sabotadores e outras figuras simpáticas na aquisição “sem sotaque” de línguas do sudeste asiático.

Felizmente, a recepção das línguas estrangeiras pode tanto assumir um caráter pernicioso quanto libertário para um povo. O dado promissor do português é que essa língua tem hoje, como principal doador, uma ex-colônia, teoricamente menos adoecida de imperialismo (diferente do inglês dos EUA e a cultura expansionista de que é herdeiro): nós. Claro, o “brasileiro” como língua estrangeira não será mais responsável só pelo atestado de bons antecedentes. Em países da África não-lusófona em que se aprende o português, não parece haver muita consciência, da parte de alunos e professores, de que se trata de uma língua com realidades históricas (de dominação externa) e atuais (de déficit social) semelhantes às do aprendiz. De fato, os mesmos problemas, da baixa auto-estima do aluno, desvalorização da língua materna e o irritante mito do “falante nativo”, à idéia de que os alunos estão ali para “subir na vida” (e não partilhar outros modos de vida), deixam o português brasileiro, ao menos na África, em situação idêntica à dos colegas europeus. O próprio Brasil é um belo reprodutor de mitos: chamamos de língua estrangeira a européia, e “dialeto” a língua africana! É duplamente vergonhoso se nós, passando o que temos passado, repetirmos o pecado de nossos senhores.

Publicado em O Tempo, 10/07/2009, com o título “Nossa língua”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Deu no Cometa, em setembro de 2009


Lado um - Rua do Abade, 69

Vem logo atravessar a rua sobre mim. Do outro lado, uma década de admiráveis conquistas humanas (a lua ficou deste lado), como a apoteose brasileira do futebol, o milagre, a crise do petróleo, as mãos de Victor Jara, a revolução dos cravos, the gates of delirium e the dark side of the moon.

Alguma coisa me diz que Abbey Road, gravado em estúdio de mesmo nome, logradouro de mesmo nome, locação idem da foto de capa, foi a última coisa boa que aconteceu do lado de cá da rua. O último ano dos anos 60 é uma desviravolta no pensamento ocidental: as cabeças, que pareciam mudadas, foram logo cortadas. Após 68 o ocidente devia parar pra pensar e, no entanto, parou de pensar, recolheu-se. Se o ano de Zuenir Ventura não terminou, 1969, no livro de Rob Kirkpatrick, é “o ano em que tudo mudou”. Mudou? De fato, american dreams como o divórcio sem culpa, Woodstock e o transplante de coração anunciam delícias da nova era. Mas a continuidade era soberana. A reportagem da Time sobre o massacre de My Lai, afora fazer John devolver sua medalha da ordem britânica, não é nenhuma ruptura: é o antigo mito da liberdade ocidental de expressão, mordaça duas vezes emudecedora, pois acostuma os olhos e entope os ouvidos. A mudança vem de outra parte. Do alto de um telhado londrino, eles fazem o último concerto, e não se ouve a histeria dos fãs. A música límpida incomoda, e a polícia, tradicional cordão de isolamento do quarteto, agora está ali para romper o show. E rompe.

O martelo prateado de Maxwell e suas quatro equações fazem de cada Beatle um teorema: 1) a ausência experimental de cargas magnéticas (o apagado Ringo); 2) cargas elétricas produzindo campos elétricos (o ligado John); 3) correntes elétricas produzindo campos magnéticos (o atrativo Paul); 4) e variações de campo magnético produzindo campos elétricos (o transcultural George). Esse é o ambiente relacional negativamente carregado dos Beatles em 1969, ano de brigas intermináveis e a tumultuosa gravação de Let it be (porém, segundo Samuel Rosa e eu, “o disco mais negão dos Beatles”). Por isso, em cada canção bem cuidada, na beleza de cada musical detalhe, Abbey Road é um tributo a nós todos, o carinhoso legado do quarteto que, num último esforço conjunto, presenteia o mundo com a promessa de redenção.

Oh, querida! Do outro lado acaba o sonho e ainda havia tanto por fazer! Os Beatles fizeram: sua pequena mas saborosa parte. Em George doía a empresa Maçã, transformada num inverno burocrático, e em vez de lamentar, compõe uma flor de canção nos jardins de Eric Clapton: há, sobretudo, o sol brilhando lá fora. Ringo trilha a mesma linha e canta uma ode ao amor feito com calma e sem medo num paraíso oceânico. Ouvir nessa canção as guitarras de George e John, o backing vocal de Paul e George, a levada ao mesmo tempo suave e contagiante dos quatro, contrasta a generosidade musical dos Beatles com a hipocrisia ao redor. Nesse disco-presente pro mundo, Lennon & Mccartney colocam umas tantas vaidades de lado (John viciado no próprio gênio, Paul incurável de beatlemania) e compõem uma ópera-rock, semente do arborescente rock progressivo da década vindoura. Abre com uma crítica à ganância e termina... bem, com um fim. Mas é um fim exclamativo, questionador, germinativo: “O amor que você recebe é igual ao amor que você faz”.

O jardim do polvo se abre a tentáculos de possibilidades. Planta-se aí o que se quer, e hay que ser responsável pelo resultado. É na boa semeadura, a gravação bem cuidada de composições geniais, que Abbey Road está na contra-mão das intenções jardineiras de outros personagens de 69. E são nas flores já maduras, a obra (e as tradições musicais que brotaram da obra), esse manifesto visceral à beleza, que Abbey Road está na contra-mão das consequências jardineiras de boa parte do resto do ocidente.

Eu quero você pensando a data de 20 de agosto de 40 anos atrás (ela é tão pesada!). Nela reunem-se os Beatles pela última vez em estúdio, para lançar, em setembro (outubro nos EUA, sempre atrasados no tempo), o disco mais importante da história do disco. Caetano Veloso dá essa honra a Sgt. Peppers, mas isso é só a tentativa caetana de não deixar o Tropicália, também sessentanovesco e contracultural, ser eclipsado por Abbey Road. Amordaçado por 1969, Caê faz as malas para Londres, e lá estaria em 20 de agosto, mas não na mesma rua. Na mesma data e estúdio estavam os Floyds, que nos mostrariam a banda escura da lua - tão pisoteada em 69 -, mas só na década seguinte.

Lado dois - Anos 70 e além

Aqui vem o sol da nova década, depois de um longo e solitário inverno. Não, o sonho não acabou. Agora a virada começa, pois não basta a cabeça nas nuvens pra sonhar. É quando o céu desaba sobre nossas cabeças que elas se abrem, por impacto, como a rachadura produtiva na testa de Zeus, cuspindo pro mundo a sábia Atena. Nas Minas Gerais, clubes de esquina buscam o ouro, querem ser ocidentais como os outros (ninguém vai saber, mesmo). Os Yesses cantam que logo a luz irá se insinuar, acalmando a infindável noite.

Porque o mundo é redondo, gira o eterno retorno do sonho, e ao atravessarmos a rua, há revolta do outro lado. Porque o céu é azul, nem por isso faz chorar ou resignar, como a fase de Picasso, mas ainda assim é um blues, forte de tristezas narradas, prenhe de revolução. Porque o vento é forte, ele balança certezas mesquinhas, as vontades de posse, e deixa firme (mas mais arejado) o desejo bem plantado de um mundo novo em folha.

Você nunca me dá seu dinheiro, mas agora a conversa é outra: todo aquele sentimento mágico amadurece suas crianças exploradas, e em breve você terá que se sentar à mesma mesa de negociação. Lá vem o Rei Sol, todo mundo está rindo... e o império contra-ataca. O malicioso Sr. Mostarda, gás queimando nossos pulmões, cegando as mentes caladas e... Pam! Um polietileno saco de supermercado, leve, transparente e barato é enfiado sobre nossas cabeças, asfixiando o mundo e... Atenção! Ela entrou pela janela do banheiro! Cochilos dourados do Imperador e a rebeldia retorna por onde menos se espera. Durma, meu bem, e não chore. Você ainda vai carregar esse peso por muito tempo, mas vai valer a pena, afinal: o que vai acabar é a velha ordem social. O fim.

Sua Majestade Abbey Road que me perdoe.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Taiuô e Kéindê


Há muitos e muitos e muitos anos, num tempo em que o mundo era ainda mais bonito que hoje, nasceu num vilarejo do outro lado do oceano, no grande continente da África, um casal de gêmeos. Gêmeos são aqueles irmãozinhos especiais que passam um tempo juntos dentro na barriga da mãe. E como acontecia com todos os gêmeos que nasciam naquele povoado, eles receberam os nomes de Taiuô e Kéindê.

Essa era ocasião pra muita festa, pois o povo daquele lugar sabia que o nascimento de gêmeos era sinal de sorte e felicidade. No dia da chegada de Taiuô e Kéindê, todos os habitantes, desde os já bem velhinhos até as crianças bem pequenas (curiosas que estavam para ver os dois novos bebês) foram à casa dos gêmeos levar presentes para a família. As mulheres levavam inhame e os homens levavam vinho de palmeira. Cada criança levava também seu presentinho, bonecos e bichinhos feitos de pau, folha, cascas de fruta e sementes. A família dos músicos foi a primeira a chegar, com seus tambores-falantes, dunduns e agogôs. Os tambores repicaram alegres, e as pessoas cantavam:

Ter gêmeos é uma dança
Ter gêmeos é uma festa
Também quero gêmeos na minha família
Cadê o meu Taiuô?
Cadê o meu Taiuô?
Êpa criança que vem ver o mundo!
Para a sua Kéindê
Êpa a sua Kéindê!

Aquela gente conhecia o maravilhoso segredo dos gêmeos: ao contrário do que a gente aprende, a criança que nasce primeiro é que é a caçula! Ela é enviada ao mundo pelo irmãozinho mais velho, que aguarda na barriga da mãe, cheio de ansiedade, as notícias da vida lá fora.

O Taiuô da nossa história nasceu menino: curioso, enxerido, bisbilhotando o mundo das pessoas, dos bichos, das plantas e das coisas para contar pra sua irmã mais velha, a bela Kéindê, que nasceu logo depois. Só depois de Taiuô dizer que o mundo era mesmo muito bonito (e naquele tempo o mundo era ainda mais bonito que hoje) é que Kéindê foi saindo bem devagarzinho da barriga da mãe, cautelosa e cuidadosa como só ela.

“Pode vir, Kéindê! Olha só quanto inhame, olha quanta criança pra brincar com a gente... olha como os adultos estão felizes... quanta coisa eles vão nos ensinar! Olha os bichos, Kéindê, olha os morcegos brincando com as árvores e com nuvens, olha como eles voam direitinho, sem trombar uns nos outros! Olha os macacos babuínos, que família grande eles têm e como eles cuidam juntos dos filhotes, igualzinho as pessoas! E olha o sol, Kéindê, como ele acende o dia pra gente ver todas as coisas... e olha a sombra boa das árvores carregadinhas de frutas! Olha o rio Oxum, Kéindê, vamos poder nadar todo dia com as outras crianças!”

Taiuô estava mesmo animado! A irmã não resistiu a tanta maravilha... e então... atenção... vamos lá... pronto: Kéindê nasceu também! Viva Kéindê (gritaram os adultos)! Viva Taiuô (responderam as crianças)! E a festa atravessou o dia ensolarado e continuou pela noite estrelada, com muita música, dança e comida.

Taiuô crescia forte e sabido. Ia ser ferreiro, como o pai e o avô, sempre espreitando e experimentando o trabalho dos parentes. Aprendia o ofício de tirar o metal das pedras e transformá-lo em coisas úteis para as pessoas. Kéindê, ainda mais sabida que o irmãozinho (como têm de ser os irmãos mais velhos) era uma beleza cada dia mais bela, uma doçura cada dia mais doce. A pele preta, preta, preta de Kéindê, escura como o azul-violeta do índigo, rebrilhava no sol e com a luz da lua, e as pessoas do vilarejo não paravam de comentar, orgulhosas, a boa estrela de seus gêmeos abençoados.

Um dia apareceu no vilarejo um estranho viajante, falando uma língua diferente de todas que as pessoas daquele lugar já tinham escutado. Ele vinha de um país muito distante, do outro lado do mar, chamado Brasil. O viajante foi recebido com festa (como aquelas pessoas gostavam de festa!) e logo fez amizade com as crianças do vilarejo. Kéindê, que nessa época era respeitada pela criançada como a mais inteligente de todas, deu as boas-vindas ao viajante.

“Seja bem-vindo, ó viajante da língua esquisita. Que você fique aqui conosco pra contar suas histórias!”

Dito e feito. Quando a noite chegava, as crianças sentavam-se ao redor da fogueira para ouvir o viajante contar, naquela língua enrolada (que se chamava “português”), as suas histórias, cada uma mais assombrosa que a outra. Ele contava que no Brasil também tinha florestas enormes e também cheias de macacos que parecem gente, e árvores carregadas de frutas e rios enormes, parecidos com o rio Oxum. Ele contou como os indiozinhos do Brasil se divertem com os macacos e como gostam das frutas e de nadar no rio, assim como as crianças daquele lugar. Às vezes contava coisas tristes, também, essas coisas ruins que acontecem no mundo, de cortar o coração.
Taiuô, que escutava tudo prestando muita atenção (como era difícil entender a língua daquele moço!), os olhinhos arregalados, perguntou: “E no Brasil também tem Taiuô e Kéindê?

O viajante, que também não entendia direito a língua das crianças, retrucou: “Tamiô e Kesmê?” As crianças riram muito, muito, muito do viajante: “Taiuô e Kéindê!”, corrigiram todas as crianças, num grito só. “Tamião e Kosmiê?”, tentou mais uma vez o viajante. As crianças rolavam pelo chão de tanto rir daquele jeito do viajante falar os nomes dos gêmeos. Uma até passou mal e teve que ser atendida pela avó, que teve de dar pra ela um chá de ervas pra dor-de-barriga! Os adultos espiavam só de longe, também achando graça na confusão que o viajante aprontava com as crianças.

“Taiuô e Kéindê”, repetiu, para o viajante, uma menininha chamada Alabá, a menorzinha de todas. “Os gêmeos Taiuô e Kéindê trouxeram boa sorte e alegria para todos nós. As crianças do Brasil não têm gêmeos pra brincar?” O viajante pensou, pensou, e finalmente respondeu: “Sim, Alabá, tem gêmeos no Brasil, mas não com esses nomes bonitos que vocês dão a eles”.

As crianças ficaram muito preocupadas com a resposta do viajante. Como os gêmeos iam trazer sorte e alegria para o povo brasileiro sem o nome apropriado? Por que a gente daquele lugar sabia (e as crianças sabiam melhor ainda) que nada acontece na vida das pessoas sem o nome certo para guiar o caminho. As crianças ficaram tão preocupadas que Kéindê, líder da criançada, resolveu levar o viajante para consultar o Babalorixá, o sábio do vilarejo. Ele tinha mais de 100 anos e conhecia todos os mistérios deste mundo e até dos outros mundos que existem longe da nossa vista.

O Babalorixá escutou a história do viajante (sem entender muito bem), escutou a versão das crianças (agora sim, dá pra entender!) e ficou um tempo pensativo, olhando com o olhar comprido prum insetozinho que volejava em torno da vela acesa.
“Crianças, vocês não precisam ficar preocupadas. E nem você, viajante da língua enrolada. Todo o povo brasileiro, os índios, os caboclos, a gente das matas, do sertão e das montanhas, dos rios e da beira-mar, o povo que vive na roça e até a gente da cidade pode receber a benção dos gêmeos que já nasceram e ainda vão nascer, assim como nós. O que os brasileiros não conseguem fazer, ou por que já esqueceram ou por que ainda vão aprender, é falar a língua que nós falamos”.

E a solução, soprada no ouvido do Babalorixá pelas verdades do outro mundo, foi a seguinte: “Viajante, peça para as crianças fazerem dois bonequinhos bem parecidos, de madeira bem macia, e leve com você para o Brasil. Esses bonequinhos vão carregar o axé (o poder mágico) dos gêmeos Taiuô e Kéindê para a sua gente. Dê a eles nomes brasileiros, que vocês possam entender e falar uns pros outros, e então vocês devem festejar e dançar e comer do jeito que nós fazemos”.

As crianças fizeram então dois bonecos lindos e quase iguaizinhos, de madeira escura pintada e cabelos de palha de milho, e presentearam o viajante. O viajante deu ao bonequinho Taiuô - o que tinha cara de mais novinho e curioso, aquele que vem antes pra xeretar e contar as novidades do mundo - o nome de Damião. E ao bonequinho Kéindê - que tinha a carinha mais séria, mais inteligente, de quem sabe pensar e refletir sobre as coisas -, o nome de Cosme.

Desde aquele dia, velando por todas as crianças do Brasil, vivem nesse grande país os gêmeos Cosme e Damião, trazidos de um vilarejo do outro lado do oceano, no grande continente da África, num tempo em que o mundo era ainda mais bonito que hoje.

VIANNA, Beto. “Taiuô e Kéindê”. In: Costa, José Mauro da (org.). Descobri!. Belo Horizonte: Mazza edições, 2009, ps. 21-29 - Ilustração: Adriana Leão - Projeto Livro de Graça na Praça

sábado, 4 de outubro de 2008

"Mais coisas voando no céu e rastejando na terra do que sonham os programas genéticos e os fatores ambientais"

Lançamento do Biologia da libertação na Travessa - 25/10

25 de outubro é o lançamento do livro Biologia da libertação: ciência, diversidade e responsabilidade (Mazza edições, 2008), no Café da Travessa Livraria. O livro reúne 19 autores - entre biólogos, antropólogos, psicólogos, lingüistas, filósofos, jornalistas, estudantes e artistas - de 7 países, discutindo as muitas faces do biológico: os modos de descrever e as relações que estabelecemos com os objetos naturais. A Travessa fica na Pernambuco, 1.286, Savassi. O evento começa às 10 da manhã, com a presença de alguns dos autores. Apareça, como uns quitutes e (quem sabe?) leve sua libertação pra casa.


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

para Darcy


Roma lagu tropico de mel, Leme doci portugal amor
George Cardoso e Beto Vianna

Um quase preto, talvez quase branco
Um brasilíndio hipermoderno franco
Desafricanizado gasto, catequizado mairun
Peró guerreiro santo pintado de urucum

Bantumineiro, iorubaiano,
Pernambucaboclo luso-montesclareando
Da nêga remestiça raça baticum
Universo aberto pra quem é nenhum

E nessa terra de brasis, quem diz, quem diz
Que o loiro-aço não veio da África?
E que o nego mina de cabelo maxakali
Não é irmão mais velho do verde-vermelho guarani...

E pro moinho cultural, eu também vim,
Moer o fazimento do meu degredo daqui, Darcy,
Bebendo a loucura da redenção em cauim
O banzo bate forte nas peles trançadas por mim

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Chuva em dois bairros



Chuva cortando as calhas do som
pede outro jeito
- não te escuto, te importa?

Corte encalhado soando na chuva
jeitoso em teu pedido
- me importo contigo, me escutas?


se os pingos me furam das gotas da chuva
se soam trovões de espaços noturnos
é porque a chuva me embrulha serena

sem pena da falta que eu sinto da tua
e embora carente do teu gosto longe
me deixo molhar pela ausência pequena

que teu logo corpo me encontra criança
de plúmbea palheta sem som só inteira
de pele, dolor e de chuva e de cheiro
que é llena em mim mesmo a tua presença

Nem todo viado é surdo 1

Nem todo viado é surdo 1

Nem todo viado é surdo 2

Nem todo viado é surdo 2

Haicai (do Conde Arthur)

No branco da paz,
giram, turbinadas
as emoções de toda as cores

Mini-hai-cai lógico-matemático

ágora

e/ou

nunc