
que aperto, que vontade contida, que vontade
de ajoelhar-me e pedir perdão e prostrado pedir, ou antes de cabeça erguida
protestar, demandar, exigir das máximas autoridades divinas que o mundo volte
no tempo e seja chegado o tempo da doçura louca e da loucura doce. que vontade
de amar, amar e amar. de amar você. que vontade nua que estou de tudo em tudo mudar.
de se romper a mudez em nudez. mudar, mudar, mudar. não lentamente, com um
sussurro na penumbra, ou com a esgarçada fibra da paciência, mas com estrondo,
com barulho e luz, estrepitosamente, incandescentemente. helter e skelter. skelter
e helter. big e bang, plunk, plakt e zoom. que vontade de me despir de tudo que eu já fui e sobrar só a mim
mesmo e você ao meu lado, talvez também despida, ou quem sabe vestida, mas
rigorosamente apenas com as cores fortes de verão. sobrar só o futuro. sobrando a
nós o futuro. nós rasgando o futuro, nós devorando o futuro. nós ultrapassando
o futuro. que vontade de gritar que amo você e o grito estourar os tímpanos do
tempo e ecoar e ecoar e ecoar (e seja o ecoar criativo, o ecoar gritando e cantando
também), que vontade que a vontade cresça e se torne a vontade em tomar você pela
mão suada e sairmos assim correndo, nadando, voando, voando, voando, planando e
voando eu de mãos e pés dados a você por todas as paisagens da terra até o fim
deste mundo e assim o mundo explodir. com você pelos ares, com você, com você.
pássaros. bólidos. ícaros. ícaros!