sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

qual ternários

1.
doces euela mordemonos
brutos nosotros abrimonos
paz-se ficados volvemos

2.
suaves elaeu já dissemonos
trágica mente nós demonos
volve a esperança de antão

3.
mostresse amor tododianos
ergueesse amor sempre vívido
quase que tomba e reaquece

4.
calmarmonos é exercícionos
sorrirmonos é uma benção
almienergias parejas

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

rondó

foda se mê, foda me sê, foda me tê vossa mercê
vou lhe dizer, vem nos fudê, bora querê bora metê
bora sentir, roda me afim, roda te aí rodilha enfim
joda te se, joda te me, joda me te joga me em ti
joga se em mim, joguete seu, sozim afogo a te curtir
afoga a mim, afogadim, fundo de mim é fundo em si
fund’eu em ti, foge de mim, fode ni mim fode-se sim
pode me ter, pode meter, pode joder assim morzim


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domingo, 4 de dezembro de 2011

com fim

quando um
querer encontra um
querer, há que se aproveitar
qual nada
que é único o encontro desse
querer com o
querer
que estava

quando um
querer deixa incomum
querer o outro agora deixar
quem sabe
que é o único tormento desse
querer comum
querer
que acaba

como querer,
como um qualquer,
como caber
com nada?
como o querer
come o querer
como um qualquer
como que a fome acaba?

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

as simetria


há algum tempo alguma mulher eu conheci
conheceu-me alguém revindo dalgum lugar
dalgum jeito dobrou o chão nalgum lugar
dalgum modo o céu duplicou-se sobre si

os signos precisam de tempo,
enquanto as coisas ficam sem lugar

al corão diz em dúbia sentença algo assim:
“Ele criou-lhe a vida, a vista e o coração”
dá-me de cor em dupla dose o deus do não
biográfica biblia a me recordar do sim

gira em redondos arcos de trás volta em mim
roda em baile o espiral que ela vem por detrás
redemoinha um tornado toda a terra e a paz
repõe-se o sol e ela faz todo o ar carmim

inocentes, imaginamos nos bastarmos
culpados, de um só mundo temos certeza
culpados, só entendemos toda a beleza
de um mundo, se inocentes nos imaginarmos

as coisas são filhas dos signos

demora ela em dois pomares plantando a mim
dá-me duas frutas frágeis preu já saborear
traz-me dois botões de flor e diz, cheira já
demora-me no ar fragrante de dois jardins

adianto a ela dois pomares, de águas tão longes
dou-lhe duas frutas rijas que nunca verá
trago flores abertas pra nunca lhe dar
pouco adiantam jardins se tão dela te escondes

dupla flor e fruta, duplo jardim-pomar
duplo espelho em carne, dupla casca de nozes
duas vidas miradas, duplicadas duas vozes
água e terra dobradas germinando ar

enquanto as coisas perdem tempo,
os signos troçam de lugar

levará tempo a uma mulher que eu conheci
buscar um espaço reencontrado dum lugar
trazer a um chão dobrado a terra, a água e o ar
vertendo em chuva tantos céus dentro de si

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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

latissimi dorsi

teu tecido me enternece
teus tecidos me entristecem
contrátil fêmea, alça gêmea
que empunhamos pelas fibras
e alçamos vôo a um só lado

a extensão fibrosa dói
o impulso enerva e flui
elétrico estimulado
cálcio potencializado
despeja ao mundo o potássio

em cada moto perpétuo
de cada nervo eu me via
se até Pilatos cegava
distenso e atrofiado
quanto a tua fibra me audia?

deslizando a tua actina
por sobre a minha miosina
movimenta um par de ossos
que de ofício têm ser nossos
embutidos esqueletos

encurta-me a espera tua
alonga-me o ser contigo
cada teu nervo motor
modela-me à compostura
de amar mover-me-te amigo

perdoa o meu ser ciúme
perdoa o meu ter costume
perdoa a dor que tu sentes
e sentir-te eu deveria
soubesse eu biologia

perdôo a tua miologia
perdôo a tua tendência
tender-te a estriar-me assim
meu ácido lácio acalma
a língua: nervo comum.

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

flamenca

é da cor de uma flor bem pequena
o amor que eu tenho pra te dar
é sem graça o som da minha guitarra
são silêncio os sons do meu tambor

faço pouco do que a mim me cabe
caibo quase nada dentro em mim
eu preencho em nós meus desenganos
com o pedaço que de ti é bom

não me deixes por mais de mil anos
fica um segundo atada em mim
um minuto é uma eternidade
se é a hora de encontrar meu bem

já virei do avesso a minha vida
enrolei meus sonhos numa corda
eu atravessei a ti, querida
meu mindinho em tua castanhola

o que a voz me alcança é a solidão
o que em vez de lança é coração
o que eu vi criança é uma paixão
onde a dança é alta eu sou o chão.

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domingo, 23 de outubro de 2011

aceito

afeto ao invés do fato
amei-te invés de morto
acerto ao invés de corto
alerto ao invés de luto
adestro o desejo dito  

aberto ao invés de bato
atesto ao invés de torto
agrado ao invés de gordo
aperto ao invés de puto
admito ser mais um mito

afago-te invés da fuga
abrigo-te em vez da briga
apego-me a ti sem praga
acalma-me não ser crime
escapa-me qualquer culpa

amargo amar emergente
reduzo o meu azedume
a um dizer doce decente
recuso ser acusado
a não sentir inocente

refaço a farsa em verdade
repenso o pesar em pluma
revejo se a inveja invade
revolvo o volver contigo
remeto à outra metade:

aceito tua sensatez
acato tua caretice
avanço por ti vencido
adoto tua ditadura
amando ser teu marido.

(na antiga roma em que o amor, 
na urbe lia ao contrário 
tocavam-se a mão direita 
esposos após a morte 
que é a vida quando se deita)




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