segunda-feira, 12 de setembro de 2011

sempre imaginei



sempre imaginei, em minha infância de adulto,
que a calma era o oposto ao ir fundo,
nas coisas, pessoas, nos mundos.

acostumei-me a isso.
se a calma não fosse isso (eu pensava),
nem mesmo a isso eu me acostumava.

nem a velhice cor de laranja
dos meus 40 anos, ensinou-me diferente
(nem velho o diabo sabia o que por ser velho soubesse)

só no ato da coroação
quando muda a cor da passageira paixão
é que verte a calma,
líquida e derramadeira
enchendo o cálice do amor
de ainda pior confusão.

mas o que é isso que digo!
falava eu da calma, não é mesmo?
então que diabo de voz é essa,
que faz da calma um objeto
e dela disserta como em um texto?
isso aqui é poesia afinal,
ou um discurso em verso alternado
velando um escondido furor teatral?

o poema é distinto do dramaturgo monólogo,
que o monólogo quer, irrestivelmente,
duplicar-se em diálogo.
o logos da fala monologada
do meio do palco,
a mensagem alçada,
à plateia postada,
dispersa na arquibancada
e duplamente dialoga:
consigo mesmo e com quem for
(é a dança do ouvir-e-o-tagarelar interior,
trazendo pra tela do texto,
o que em muito de si tem o autor).

poema não fala nada, só faz.
pois quem escuta o poema
não é plateia, nem nada, nem gente, aliás.
é a própria autoria desorientada
que colhe plantadas palavras
e as traga como cenouras
cagando-as logo após
em bosta no tom avermelhada.

mas falava eu da calma, não era?
ou será a querida ouvinte,
que tomando do embuste ciência,
já perde com este sujo vate
cada quilate de sua paciência?

.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

primeiro de setembro



chorando sozinho eu não fico
perdão pela minha alegria
felizmente eu tenho a tristeza
pra me fazer companhia

nas horas mais difíceis dessa vida
é fácil achar motivo pra sorrir
o duro é vomitar dias perdidos
dar mole presse choro te engolir

chorar não esvazia essa tristeza
sorrir não enche a vida de amanhã
o sorriso é a sombra da macieira    
o choro é sementinha de maçã   

eu tento me esquecer do dia primeiro
do mesmo mês há um ano exato atrás
se lembro a estrela é menos paraíso
setembro meu inferno astral é mais

chorando sozinho eu não fico
perdão pela minha alegria
felizmente eu tenho a tristeza
pra me fazer companhia

domingo, 28 de agosto de 2011

brilho dos sóis



cheia, rica, gorda, grande, funda e diversa
é a hora extendida em nossos dias desde essa nossa reconversa.
boa, alta, farta, larga, densa e repleta
de esperas é cada hora do dia em dias de paralélica reta.
(cada reencontro é uma caixinha
de reencontros acondicionados
todos dentro da mãe
de cada reencontrinho
reencontrado)

dias quentes, dias claros, mistério nenhum bajo tantos sóis.
sempre logo, logo, nunca rapidamente após.
o tempo em espiral retesa na caixa surpresa de nós,
pulando o amor nosso ao mundo, é surpresa pro mundo?
e onde e quando o porquê da surpresa,
se é o próprio mundo lá embaixo
a nossa mola de pressão?

é por demais em cheio o amor.
e por demais rico e gordo
e é grande e fundo
e é bom e é alto e é farto e é largo,
é demasiado denso o amor,
prum cheirinho de culpa (eu penso),
proutro tanto de ansiedade,
de ciúme, de medo e (quiçá) de verdade,
roubar dos dias a quente hora extendida
que tão bela e habilmente tecemos
todo nosso santo dia.

“há um sol brilhando lá fora”, alguém diz,
com inverdadeira economia.
mil sóis brilharão antes e brilharam depois,
em profusão inaudita
do numeroso montante imenso de cada vida.
tá pra nascer alguém que não verá dois sóis no céu
e poder dizer que não os viu
e se o disser já mentiu
como há muito explicou Galileu.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

discordando


se eu tivesse uma corda
eu passava ela em volta
se eu fosse uma corda
eu cortava as duas pontas
se eu fosse essas pontas
eu acordava pro mundo
como desperto
desapontado
de um sonho fundo
que agora é longe
 
se não é corda o que eu tenho
eu não mais passo ela em volta
se não é corda o que eu sou
eu não me enrolo em dois cantos
se eu não sou esses cantos
baixo o volume do som
com o canto certo
como encantado
de um sonho bom
que agora é perto
 
.

domingo, 21 de agosto de 2011

Ciúme



O amor é como um doce
O amor é como carne
O amor é como um
Espaguete com espinafre

O amor é como um bife
O amor é como um funk
Uma letra erotizada
Uma músicarromântica

O amar é como o sal
O mar solúvel e denso
Como a amada é o marca passo
Meu amar é hiper tenso

O amor é como tu
Um amor como você
A mando o amor tomar no cu
Pra ter dor e tens prazer

Ponho o meu amor na boca
Mastigo eu o amor com o dente
Deixo amores pra trás
Ponho bem no amor na frente

Sigo amando alguém melhor
Que antigos amores segundos
Cego amando é bem melhor
Que ver amor noutro mundo

Deixo quieto o meu amor
Descongelado em grau médio
Esquenta o amor que eu como
Em micro ondas de tédio

Preparo no amor o prato
Separado da tristeza
O principal traz amor
Sofrimento é sobre mesa

Amor não tira pedaço
Como o meu amor em tiras
Salgado é amar de verdade
Amar tão doces mentiras.

O verde amor é verdade
O ver-te, amor, é costume
O amor sem verde é maldade
O amor sem ver-te é ciúme.
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ir-tábata


   e tá aqui, brasil, belô, abriu, beijou, peito apertada, saída sainha de praia, de partida, de-portada, de portuga, deport-ela, shamba, shuor e chorinhos cá-nela, quanta quarta, sexta, sede e sábado, saudade dá-na-da tábata, questa é onde, lei é longe, presto é fado, quarta e sábado, quieto e sabato, beto e tábata, ir-tábata, itábata, itália, e tá lá. 

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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

porto


atrás da porta há um rato
ponto sem nós tempo é chato
atrás do porto há uma broma
de goma não tem mais nata

atrás da vida há um buraco
perdido em prosa tem verso
trás o universo num barco
remadas num mar de nada

enfrento a vida de outros?
sou barco em portos estranhos?
entranham em mim outras vidas
evito as portas dos portos

atraco em cais que ignoro
atrás do cais que eu adoro
tem barcos postos alertas
têm ancorados casais

atrás de mim tem mais vida
atrás de ti outras mais
em frente a vida é nossa
atrás é tua e no más 


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