sexta-feira, 10 de junho de 2011

12 de junho



o corpo do cristo é triste
por no dia 13 por azar
comemorado

comemos tarde da hora da missa
um corpo gelado
um dia depois de comemorar
o comer quente com o meu namorado

lambemos o vinho envelhecido
(coagulado sangue divino)
em tonel de carvalho

que o amor, a verdade e a vida
se bebem antes
em tonéis de amantes:
boceta e caralho


havia urbana




rua reta e torta concreta
cucuruquieta tornado um rato
via de volta e ida viagem
guapa guarita, seguro, garagem

fale e escute, fela kuti
o amor quero mais que me chute
do ônibus dois buses
tô de paro no ponto
tô de pé na janela

ela, ela, ela, ela
com quantas quatro meninas
se faz a cidade
de nome e da cor amarela?

o prédio ali
tem tudo e tem todos
amores meus, menos eu
quadro de aviso no quarto piso:
“numa só avenida
tem um só carro no meio
e outro meio de vida”

meu bar, meu bar, meu bar
quantas branquinhas e loiras
uma vermelha semana
güenta a neguinha tomar?

me bata, me bata, me bata
pra quê rimar toda via
se toda a minha poesia
termina e termina com ata?


domingo, 5 de junho de 2011

primavera



a alegria pousa
em nosso retrato
de primavera

a felicidade torna
em bandos largos
ao nosso pasto

a doçura surge
a cada gota
de nossos favos

o sorriso brota
por nossas grutas
redescobertas

o prazer se brota
por nossos campos
umedecidos

que

o amor imigra
de revoada
em nosso colo.


sábado, 4 de junho de 2011

eu quero um macho




eu quero um macho
eu quero um macho pra mim
não para tê-lo
(que uma pessoa não se tem)
mas pra me preencher
a vida toda
com você

eu quero um macho
eu quero um macho pra mim
eu já quis e quero
todas as mulheres que
eu já quis e quero
(você também já
quis e quer todas elas)

e eu e você
cuidaremos juntos desse macho
e daremos banho nesse macho
e amamentaremos esse macho
até que esse macho
não seja mais pra mim (nem pra você)
sim pra si mesmo macho.


alteridade



não dói a ausência
(que essa é inexistente)
do gosto da sua flor roxa

nem dói a presença
(que essa nos afoga e entorpece)
dói a presença na ausência
dói o gosto de flor roxa que fica
em meus lábios
o cheiro forte pregado nas narinas
a textura toda da pele toda da pele
colada na textura toda da pele minha
o toque viscoso do molhado seu
em mim mesclado aos meus molhados
tocando em si
queima-me a visão cheia, nítida e morena
definitiva vista como se parassem os olhos
de ver
para no escuro fixar em luz
a sua invertida e projetada miragem
nos meus bilhões de acetatos superexpostos
os sons, os glides, os gemidos
o murmúrio, o estalo e o suspiro
toda a orquestração da sua voz gutural
dói meu pau
dói a batida tântrica do seu corpo em seu corpo
e no mundo
ritmando o mudo ouvir do meu corpo
o minimalista e intermitente arrulho
do seu sonido
retumbando em minha cabeça oca
de qualquer eco qualquer

dói a presença na ausência
dói o você inarredável
o gosto, o cheiro, o textura, o cor o som e o tempo
pairam como beija-flores endemoniados
sob e sobre a sombra
do que eu ainda vou ser
no futuro

não dói a saudade
você não é mais saudade
(você deixou de virar saudade
na segunda primeira vez
que a vi)
agora você é só uma verdade atômica
com um espinhento sempre
entremeando
o gosto da sua flor roxa


quarta-feira, 1 de junho de 2011

yellow casinha



vou fazer uma casinha amarela
e quem sabe
debaixo do mar
pra gente
ouvir música
e quem sabe
e morar

quando for dia de festa
quem sabe
ou um dia qualquer
vamos
de mãos dadas
quem sabe
é a maré

na beira da praia clara
cê sabe
lotada de gente
quem sabe
eu te lasco
um beijo molhado
e quente

vou com meu terno listrado
quem sabe
desses usados
na prisão
lá dentro
pelo menos
sou menos
que um não



segunda-feira, 30 de maio de 2011

todamirada



todas as imagens todas
transladam, rotam pela baça
muita e densa realidade
e elas, substantivações sempre femininas
concordam em
reordenar-se
em você
a vista (a minha) turva-se
mas nítida é a forma nova
em transfigurada mirada
que é você, você, você, você
nas ruas, praça, escola e pedras
você é as montanhas
é você na mata, paredes e certezas
você é dentro das roupas, da tela, da casa
elas substantivações femininas
substantivação feminina você
tão você 
que se vejo você
você em verdade
distinta e verdadeira
pois contrastada por
outras realidades meninas
imagino que seja
apenas mais uma de
minhas doentes e cotidianas miragens
e em isso toda noite durmo de felicidade


Marcadores

1969 25 de abril a linguagem dos animais a origem das espécies abbey road adolescente adriana leão áfrica alexandre pimentel ambiente américa do sul animais anos 70 antes arthur vianna artigo as filas de francolise ASA assange atlantico babalorixá bairros baixo beatles belo horizonte beto vianna bh biologia biologia da libertação blocos blocos caricatos brasil brinca belô caderno de filosofia e ciência caetano veloso canela carnaval cego cheiro chuva chuva em dois bairros ciência coffe shop cognição cometa itabirano competição conto convite copa 2010 cor cordel cosme e damião cplp cuba darcy ribeiro darwin darwin 200 descobri desmatamento diferenças culturais embora EP escolas de samba estudante EUA evolução expedicionario experiência extinção facebook feb felipe melo fio flor floresta força expedicionária brasileira G7 gêmeos george cardoso george harrison globo google livros greenpeace grito guerra hebdomadário hemisferio sul homo hugo chávez identidade III SCC ile ife india indio indonésia interculturalidade jabulani jesus john lennon john tooby jornalismo josé mauro da costa julian julian assange juventude kitkat la nación lançamento larissa leak leda cosmides lei de gerson libertação limpeza étnica lingua lingua portuguesa linguagem livro livros de graça na praça loucura i fé lua lusofonia madalena madonna manhã mario drumond mazza menina menino mineiro morcegos movimento estudantil mudo mulher música naranja mecanica neguinha de ogum nestlé nigéria nudcen o tempo ocidente óleo de palma opep orangotango origem 150 paises pan paraguai paul mccartney paulo speller paz pentelho petróleo pink floyd poema poesia pop portugal prometeu psicologia evolutiva quilombola racismo rainforest reina revolução dos cravos ringo starr rio de janeiro roma tropical rouco sabor são tomé sebastião da costa veloso secundaristas seminário sinestesia soberbia brasileña sobrevivência do mais apto som Spencer sportv sucesso reprodutivo surdo tá morelo tábata taiuô e kéindê tato terceiro mundo travessa ubes ucmg ufrj une unilab universidade afro-brasileira v va vagabunda vapt variação veja venerada venezuela viagem voltar vupt vuvuzela wikileaks zarzuela

Haicai (do Conde Arthur)

No branco da paz,
giram, turbinadas
as emoções de toda as cores

Mini-hai-cai lógico-matemático

ágora

e/ou

nunc