terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

III Seminário Ciências e Cognição

e
I Encontro Ciências e Cognição
Tema: Novas Fronteiras Cognitivas 

Rio, 16 a 18 de março de 2011

O III Seminário Ciências e Cognição: Novas Fronteiras Cognitivas volta-se para a promoção da articulação de ideias, experiências e conhecimentos entre os professores, pesquisadores, acadêmicos e profissionais das áreas de educação e neurociências. Com este propósito, o NuDCEN (Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências), da UFRJ, e a revista científica Ciências e Cognição, da Organização Ciências e Cognição, organizam e apresentam o evento. Local: Casa da Ciência - R. Lauro Müller, 3, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ


mais informações no site do III SCC
 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

oh entrelinda dos meus vícios!


oh entrelinda dos meus vícios!
oh amor doidiva de duas vidas a mim doída a doar
sereia imersa por sob meu lobisomem ao mar de sargaços

potra livre em pisoteio por a rala grama do meu pastar
leoa a buscar emboscar e me em fim devorar zebrados apreços
rocha dura que à mais secura previne a chuva de em mim regar

oh bolita!
o que é que eu tenho quicar com isso com esse sem nessa nem nossos?
oh bolita!
o que é que eu tenho com isso com esse sem nossos nem nessa quicar?
ah dstringente! ah bsorvente! a par de abas sugar meus alados soluços

par de pés caminhos tortos cheios de dedos a me passear
par de pernas a me sustentar feixes de fibras febris suplícios
par de coxas em sol salgadas minhas massas empadas a bem folhar

par de nádegas a me acolchoar a funda bacia das almas roliças
par de ancas aos tremores meus fundos temores a desbalançar
par de costas da pá virada de ré engatada de pêlos avessos 

par de braços de braços dar o maior trabalho a mim me dar
par de ombros aos meus umbrais, pôr poe-poemas aos embaraços
par de seios evanescentes de viés soslaios a me a vistar

par de ouvidos parte envolvidos me a partidários pardos felícios
par de narinas namoram chorosas cheirando cheirosas meu cheiro do ar
par de olhos a verdejar-me as hirtas picadas em mato hortaliças

loura em beldade que me encantado entoa à toa por bel-cantar
amarela dela tresdourada égua a me até galopar precipício
roxa flor dália que à vista prazo que em mim engasgo de até ofuscar

rubra boca a me aberta engolir de um meu só trago ga-go ga-go
branca mão me manipular-me meu artefato. fato
preta delírio pronto. ponto

AS FILAS DE FRANCOLISE

Maj. Sebastião da Costa Veloso, veterano da FEB


Francolise é uma cidadela situada ao norte de Nápoles, Itália, em cujo redor os camponeses cultivam a oliveira e alguns canteiros de milho. Escassos bosques á beira de regatos condutores de água para irrigação, naquelas terras cansadas pelos milênios de exploração, ao longo da Via Ápia.

Foi ali que nossas tropas - terminada a guerra - ficaram acampadas por mais de dois meses, aguardando o desejado embarque de retorno à Pátria. Um calor imenso obrigava a turma a ficar quase sem roupa, só de calção, enquanto parada no acampamento.

Intermitentemente, partíamos em "tocha", mais para o Sul ou para o Norte, procurando aproveitar o tempo para conhecer o país que fora palco de nossa luta e que, conseqüentemente, sofria seus efeitos, com obras de arte destruídas, cidades em ruínas, miséria rondando lares, famílias desintegradas. Praticamente, todos os que viveram envolvidos em combate não conheciam a Itália, por absoluta falta de tempo, até então. Era natural, portanto, a nossa curiosidade em conhecê-la, agora que estava livre da guerra.

Nas fugas para o Sul, íamos a Nápoles, Pompéia, Herculano, Torre Anunciata, Salermo. Para o Norte, demandávamos Roma, Pisa, Florença, Módena, Bolonha e até Veneza, para os que viajassem mais. Cada "tocha" desta tinha sua estória particular, com detalhes interessantes ou grotescos, com surpresas alegres ou tristes.
Era comum sairmos em dupla de amigos - meu companheiro mais constante era o Meireles - passando dias e dias perambulando por terras estranhas, só vendo italiano, só falando italiano.
Mas, em torno de Francolise, um singular espetáculo se tornou comum e que todos nós recordamos e contamos, como um dos registros da situação de um país que foi palco de operações bélicas, sofrendo seus horrores e, em seguida, as suas conseqüências: as famosas filas de Francolise.
-Quem não se lembra delas?
Aquelas filas de homens seminus, brilhando de suor, esperando a sua vez de praticar um dos mais antigos atos fisiológicos que a natureza solicita para a perpetuação da espécie.

Na ponta das filas, geralmente, um pequeno bosque, perto de um rego d'água, um espetáculo diferente, deprimente, repugnante mas curioso: Uma mulher seminua, pertencente à mais antiga das profissões, atendia aos jovens, com pequenos intervalos - o suficiente para se lavarem no rego d"água - e à vista de quem quisesse ver, em repetidos atos sexuais, dizia convicta: "altro".

Os primeiros da fila ficavam observando aquilo, excitando-se até, esperando sua vez, levando nas mãos um maço de cigarros e um preservativo de borracha, profilaxia das doenças venéreas.
No fim da tarde, via-se, no centro do bosque, um monte de maços de cigarros  de um lado (um maço de cigarros era o valor de cada ato) e de outro, outro monte de "camisinhas", além do chão massageado pelos combates sexuais da jornada.

O conceito de moral sempre variou de acordo com as circunstâncias, com o tempo e com o espaço. Qualquer noção de pudor desaparece tão logo chegue a necessidade premente e inadiável de comer, de sobreviver. A fome deteriora a vergonha, o respeito humano, tudo.

Aquelas mulheres precisavam comer, precisavam viver. A Itália continuava existindo. É a desorganização de um país derrotado é uma realidade cruel. Tudo desaparece: trabalho, emprego, víveres e as pessoas sobreviventes precisam continuar vivendo. Portanto, nada a censurar o seu labor, a sua defesa.

Também os que delas faziam uso não merecem censura. Se no início tinham repugnância pelo que viam - isso é chocante - por outro lado, há a considerar-se a grande capacidade do homem em adaptar-se ao meio ambiente. Portanto, seu procedimento também fica fora dos conceitos de moral.É procedimento amoral.

As filas de Francolise ficaram famosas e, ainda hoje, 40 anos depois qualquer veterano da FEB que ouve falar delas, sabe do que se trata. Equivalem àquelas cenas também comuns nas ruas de Nápoles e de Herculano, quando anciões ofereciam as suas filhas e netas, como última matéria-prima de que dispunham para sobreviverem.

É um dos restos da guerra.

Um retrato de miséria que deve ser lembrado para se ver que a guerra é uma grande estupidez que a humanidade tão bem conhece mas insiste em praticar.

Além das mortes que causam - e a morte não é o pior - das mutilações, das doenças, dos prejuízos materiais, deixa essas seqüelas ai, por longos anos.

Por tudo isso viva a Paz.
Não devemos temer a guerra, mas devemos desejar a Paz. E, se for necessário, inevitável fazê-la, que se desenvolva só lá no estrangeiro, e nunca neste solo abençoado, neste solo brasileiro.

Transcrita da revista "O EXPEDICIONÁRIO" nº 102  de Junho de 1982

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

cordel do surdo, do mudo e do cego

 

o surdo, o mudo e o cego

surgiram em dois momentos

(na casa comum dos três)

loucos o trio todo

loucos por dois motivos

o primeiro eu vou dizer

 

 

surtam bem cedo ainda

o surdo e o mudo irmãos

(o cego não, primo seus)

mudam prum mundo novo

tão logo se acharam grandes

a mente e o corpo de um deus

 

chegam a ver tal encanto

ipso facto o surdo e o mudo

perdem a fala de vez

o mudo nem se importou

(já não falava o vivente)

só tinha o surdo a perder

 

 

o cego nem deu por isso

não havia encantamento

que cegasse o seu viver

a loucura que lhe coube

foi mais forte no entanto

(pois não carece de ver)

 

o mundo novo pra ele

só lhe importava de fato

pra plantar e pra colher

acorrentou os dois outros

(os pans, assim se chamavam)

e estava o homo a nascer 

 

 

- amordaçados os outros,

estava o homo nascer 

 

 

 

 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Leak, leak, leak / Hoje a manhã é boa


leak, leak, leak 









 

 

o fio desenrola de seu novelinho bem acondicionado e,

solto,

nos embaraça a todos.

leak, leak, leak, fio meu.

enreda os fio da puta no fogo fértil de prometeu.

 

 

hoje a manhã é boa

 

 

 

 

 hoje a manhã é boa.

tem cheirinho de café.

tem um frango assange ao forno

de deixar o pentelho em pé.

 

a manhã baixo holofotes.

tradicional coffee shop.

a tradição faz fumaça

debaixo do pop, pop, pop.

 

 

facebook, dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

V


vapt e vupt
vem e volta
venerada vagabunda 

vai e vem
vasto vulto
venerada vagabunda

viva volúpia
vinga a vida
venerada vagabunda

vê da varanda
o vale verde
venerada vagabunda

...

vice e versa
vide o verso 
venerada vagabunda

venerada vagabunda
vaidosa
vênus vamp

venerada vagabunda 
teu veneno é vã 
vacina 

venerada vagabunda
verte um vallium
e vomita

...

voa à vela e sai vazada
vá, veloz, em via vesga
esvazia em vez meu vício
ver você virando um vírus

verga a vara no meu ventre
vaza a veia, esvai o vinho
vinca a veste, me envagina
vaticina o teu vacilo

vende à vista minha vergonha
vá, tua voz é meu vexame
você viu que eu não valia
e enviou à vala vaga

vinte vezes minha vontade
trinta vezes meus amores
nove vezes fora nada

vinte vezes minha vontade
trinta vezes meus amores
nove vezes fora nada

... 

vence a vaia
dos viados
convencidos da vitória

vira a mesa
miss Valhalla
mostra o monstro
           do teu vento

varre a merda
do universo
           com o vibrar dos teus arpejos


Belo Horizonte, algum dia de setembro de 2010 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Antes baixo o grito rouco














Antes baixo o grito rouco do sentir a tua falta
falta a tua pata em volta do meu corpo de mineiro
volta nua pro meu canto sol tatua asa leve
deixa água pro meu pranto ou me faz a vida breve

Boca: voz aberta o som me morde
marca o teu nome na face, faz teu sono me ninar
Louca: se nós passamos das horas
dia passa e vai, agora a lua teima em ficar

Antes ter a tua pata no meu corpo de mineiro
que gritar o grito rouco do sentir a tua falta
deixa água pro meu pranto e me torna a vida breve
ou vem nua pro meu canto sol tatua asa leve

Menina: escapa pra longe do mundo
entende fundo o deus das coisas, vá te embora e vá voltar
Menino, escapo pra longe do mundo
entendo fundo o deus das coisas, vou me embora e vou voltar

Antes água no meu pranto entornada a tua falta
antes nua no meu canto solta toada de mineiro
antes quis a tua pata em volta do meu corpo breve
hoje lanço um grito rouco antes que tua vida leve

Menino, escapo pra longe do mundo
entendo fundo o deus das coisas, vou me embora e vou voltar
Menina: escapa pra longe do mundo
entende fundo o deus das coisas, vá te embora e vá voltar
entende fundo o deus das coisas, vá te embora e vá voltar
entende fundo o deus das coisas, vá te embora e vá voltar

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Haicai (do Conde Arthur)

No branco da paz,
giram, turbinadas
as emoções de toda as cores

Mini-hai-cai lógico-matemático

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