sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

panteão

subam, deuses: pra donde é o melhor patamar
dali mirem a vida bem do alto: rê gozigem
mas deixem cá embaixo aos deuses nossos: ignorem
pois cá é o amor que reina e tudo governa:
só de cá que é o amar

desce, musa: pra onde eu mais possa te amar
daqui viva a vida bem baixo: rê me inspire
mas deixa lá no alto os teus deuses nossos: reze
de lá nosso amor eles teimam governar:
deus lá desde nós cá

cresce, dupla: pro lado mais perto do mar
de ondas molha a vida salgada: rê começo
mas deixo teu sal já me avisar: me iemanjá
se oferto a mim mesmo é pro seu e meu só governo: 
é pra ti me buscar

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sábado, 4 de fevereiro de 2012

o quarto chinês


“it is a plain fact that i don't understand chinese in the chinese room. there is no intuition about that. the argument relies on that fact” (john searle)

tudo cala dentro e fecha
fecha tudo dentro e cala
cada nada soma um tiro
some dentro em ponta a flecha
toda bala escreve um arco
toda boca é um pé no saco
de bocado em nós bocados
de um tirar cada pedaço
de um até morrer de vez
num quase quarto chinês

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

ponta a ponta

a flecha vei vindo
e já me viu véi
a ponta da flecha
no ponto em que estou

atingiu vermei
no mei do meu peito
certeira no agora
um furo no embora
não ligo que dói
não sói tão doer
tem jeito pra tudo
no entardecer
sou feito da ponta
da flecha que agora
me atingiu em chei
da cor que eu sonhei
sou feito uma mosca
sou alvo preteado
incauto blecaute
no nada atirado 
é arco a menina
do tempo de outrora
que tesa reteve
o fio da meada
é feita uma bruxa
a dama de ouro
nascida de novo
nas copas de nós
é feita um barai
de naipe vermei
abrindo buraco
preto em nossa voz

feito anda na luz
a aranha vermeia
reata hoje em mim
os fio bom da teia

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

estado de sítio


há de ser nada esse não
há de ser tudo ou senão
crescemos juntos e é bom
volver erguidos por nós
de parabelo horizonte na mão

te amar é tanto e nem perto
do tanto que em ti é certo
fritando a mim na cozinha
assando a ti na fogueira
de parabelo horizonte na mão

é tanto amor e nem toca
aos pés de tua tanta troca
chupo-me amêndoas nos olhos
cuspo fios de pelo negro
de parabelo horizonte na mão

amo a ti tanto e nem chego
tão dentro em ser teu sossego
chovem por dentro os meus olhos
molho em teu sangue os cabelos
de parabelo horizonte na mão

te amar é tanto e nem perto
é tanto amor e nem toca
amo a ti tanto e nem chego

do tanto que em ti é certo
aos pés de tua tanta troca
tão dentro em ser teu sossego


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

qual ternários

1.
doces euela mordemonos
brutos nosotros abrimonos
paz-se ficados volvemos

2.
suaves elaeu já dissemonos
trágica mente nós demonos
volve a esperança de antão

3.
mostresse amor tododianos
ergueesse amor sempre vívido
quase que tomba e reaquece

4.
calmarmonos é exercícionos
sorrirmonos é uma benção
almienergias parejas

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

rondó

foda se mê, foda me sê, foda me tê vossa mercê
vou lhe dizer, vem nos fudê, bora querê bora metê
bora sentir, roda me afim, roda te aí rodilha enfim
joda te se, joda te me, joda me te joga me em ti
joga se em mim, joguete seu, sozim afogo a te curtir
afoga a mim, afogadim, fundo de mim é fundo em si
fund’eu em ti, foge de mim, fode ni mim fode-se sim
pode me ter, pode meter, pode joder assim morzim


.

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domingo, 4 de dezembro de 2011

com fim

quando um
querer encontra um
querer, há que se aproveitar
qual nada
que é único o encontro desse
querer com o
querer
que estava

quando um
querer deixa incomum
querer o outro agora deixar
quem sabe
que é o único tormento desse
querer comum
querer
que acaba

como querer,
como um qualquer,
como caber
com nada?
como o querer
come o querer
como um qualquer
como que a fome acaba?

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Haicai (do Conde Arthur)

No branco da paz,
giram, turbinadas
as emoções de toda as cores

Mini-hai-cai lógico-matemático

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