quinta-feira, 14 de abril de 2011

momento

paro de pensar um momento
deixo as ondas batendo
nas pernas minhas nuas
a água fria e boa empurrando e
puxando
a revolução quieta do amor

paro defronte e à frente do vento
aceito grato o rosto açoitado
de olhos lembrando e fechados
a tua figura cheia e aromas
teu gosto
o teu calor bêbado em beijos

reparo a evolução simples da planta
que cresce ao redor das coisas
em direção ao sol, teu sol
os olhos postos ternos no chão
te puxo
em corpo e lembrança pra mim

preparo a cama estreita com flores
planto a semente em taças febris
o quarto esperando o sol, teu sol
a água fria e boa empurrando
nosso amor
pro ralo aberto e claro no chão

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Calhambeque bi-bi

Humberto Vianna/Roberto Carlos

Liguei pro celular da minha gata, animado
Sonhando ouvir a voz da mina do outro lado
E eis que o broto atende e responde chateado
Eu tou no trânsito, bi-bi
Eu tou no trânsito de beagá,
Beagá bibi guigui bi-bom

Esperei impaciente o meu broto estacionar
Havia combinado de voltar a ligar
Então eu chamo e ouço a sua voz a reclamar
Eu tou parada, bi-bi
Parada num sinal de beagá,
Beagá bibi guigui bi-bom

Depois de meia hora o meu bem engarrafado
Para em fila dupla pra atender seu namorado
Ligo novamente, atende o broto estressado
Eu fui multada, bi-bi
Multada por um guarda em beagá,
Beagá bibi guigui bi-bom

Marcamos de encontrar em frente à Praça da Estação
Pra pegar uma praia e passear no calçadão
Mas quem disse que tinha alguma vaga pro carrão
Nós dois rodando, bi-bi
Rodando nas ruas de beagá,
Beagá bibi guigui bi-bom

Decidimos que o amor tinha de ir até o fim
Desistimos da prainha e tocamos prum drive-in
Mas na hora agá... o carro enguiça e ela pra mim:
(bi-bi)
Eu tou no trânsito, bi-bi
Eu tou no trânsito de beagá,
Beagá bibi guigui bi-bom...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

poema de dentro

sabe a fruto maduro
o dentro do teu
sabe a terra, a gente, a pasto

torna o sumo de dentro
no centro da tua
torna nus a gente num espaço

trago teus braços de pedra
transparente, como em neruda
trago te dentro do abraço


dorme a tarde de abril
tranquila, em saciados
dorme o desejo mais vasto

faço teu quarto do meu
mil horas, de um rato
fazes a lua do sol: mormaço


sábado, 9 de abril de 2011

neguinha de Ogum

minha rotina
minha retina
minha renitente e ranheta rotina pregada na retina
todo dia,
da hora que eu acordo
à hora que durmo profundo
e (até) daí por diante
é
sonhar só
com você

ah! neguinha
reina das minhas rendosas horas de amor ruminante
ai, neguinha linda
rainha sorridente
do meu coração contente
rainha, imperatriz, presidente
de minhas horas
calmas
e as ardentes

sofro um pouquinho mas é de saudade
mas só a possibilidade
de uma hora dessas
de um dia ou outro
te ver, falar, tocar, te ler
de ouvir teu batuque
no meu feicebuque
me deixa um outro
me acalma um pouco
me acaricia a alma de vez

ah! neguinha
dona da minha rotina
imagem ocupante
da minha retina
renitente deusa brilhante
dos meus dias, do meu tempo
do meu trabalho e do meu lamento

ah! neguinha
filha de terreiro
cabocla, guerreira
coração veloz e valente
que cai, que cai e levanta
no tablado rodopiante
de um amor errante
filha de ogum ou de algum
deus estonteante

ah! neguinha
se eu amei na vida
como eu amo agora
se eu amei alguém
como eu te adoro
foi exato você menina
na estrada antiga
de ser neguinha
minha longa amiga

(pra sempre minha longa amiga e amante)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

as mãos e as bocas



bocas abertas no dentista
desdão as mãos no trabalho

qual outra mão que tu destes? (diz a mão)
que outra boca beijastes? (diz a boca)

mas é mentira e se calam
(guardam os medos nos bolsos)

buscam as bocas silêncios
mostram-se as mãos maternais 

a mão
enlaça o mundo, enlaça a mão do menino

a boca
engole a vida aos dois, e engole a boca

a pele das mãos no toque
trocam de pele as mãos

o gosto das bocas juntas
jantam-se a gosto as bocas

improvisam um orifício
no quente degelo global

a mão na mão forma um arco
boca com boca um contorno

descem medos pelo ralo
e a menina caiu pelo vãozinho

domingo, 3 de abril de 2011

Zarzuela


quando eu pensei que é triste o passar das horas, das horas
tudo sempre nunca, hoje
onde eu deixara ficar os cantos dos espaços vazios, vazios
todo lugar é nada, aqui
e ela vem cheia ela mesmo enchendo a mim cada passo a passo
o corpo que é copo por ser copo
e é copo por ser vazio
e ela nos vem entornando assim em ternura forte, quente, quente
a cada com passo passionando
os sete lados
deste lado
de nós
antes des atados
e ela vem zonza, reina, tonta, bela, zarzuela, zarzuela
a cada compasso passionando
os sete lados
deste lado
de nós
otros agora

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Jesus e Madalena


jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena









crianças entre crianças
duas vidas pela frente
no futuro do menino
a menina é o presente

jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena

crianças sobre crianças
são tantas (e tão certeiras!)
olhando pra todo lado
pra nós, pra vida inteira

jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena









mas nós dois é só um canto
da varanda atrás da lua
menina e menino vestidos
com essa ternura mais nua

jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena

sentada a menina olha
a própria beleza estampada
nos dois olhos do menino
que miram ela e mais nada

jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena









a mão da menina pousa
na mão quente do menino
beijos dele nela aquecem
os dois amantes dormindo

Marcadores

1969 25 de abril a linguagem dos animais a origem das espécies abbey road adolescente adriana leão áfrica alexandre pimentel ambiente américa do sul animais anos 70 antes arthur vianna artigo as filas de francolise ASA assange atlantico babalorixá bairros baixo beatles belo horizonte beto vianna bh biologia biologia da libertação blocos blocos caricatos brasil brinca belô caderno de filosofia e ciência caetano veloso canela carnaval cego cheiro chuva chuva em dois bairros ciência coffe shop cognição cometa itabirano competição conto convite copa 2010 cor cordel cosme e damião cplp cuba darcy ribeiro darwin darwin 200 descobri desmatamento diferenças culturais embora EP escolas de samba estudante EUA evolução expedicionario experiência extinção facebook feb felipe melo fio flor floresta força expedicionária brasileira G7 gêmeos george cardoso george harrison globo google livros greenpeace grito guerra hebdomadário hemisferio sul homo hugo chávez identidade III SCC ile ife india indio indonésia interculturalidade jabulani jesus john lennon john tooby jornalismo josé mauro da costa julian julian assange juventude kitkat la nación lançamento larissa leak leda cosmides lei de gerson libertação limpeza étnica lingua lingua portuguesa linguagem livro livros de graça na praça loucura i fé lua lusofonia madalena madonna manhã mario drumond mazza menina menino mineiro morcegos movimento estudantil mudo mulher música naranja mecanica neguinha de ogum nestlé nigéria nudcen o tempo ocidente óleo de palma opep orangotango origem 150 paises pan paraguai paul mccartney paulo speller paz pentelho petróleo pink floyd poema poesia pop portugal prometeu psicologia evolutiva quilombola racismo rainforest reina revolução dos cravos ringo starr rio de janeiro roma tropical rouco sabor são tomé sebastião da costa veloso secundaristas seminário sinestesia soberbia brasileña sobrevivência do mais apto som Spencer sportv sucesso reprodutivo surdo tá morelo tábata taiuô e kéindê tato terceiro mundo travessa ubes ucmg ufrj une unilab universidade afro-brasileira v va vagabunda vapt variação veja venerada venezuela viagem voltar vupt vuvuzela wikileaks zarzuela

Haicai (do Conde Arthur)

No branco da paz,
giram, turbinadas
as emoções de toda as cores

Mini-hai-cai lógico-matemático

ágora

e/ou

nunc