segunda-feira, 11 de abril de 2011

poema de dentro

sabe a fruto maduro
o dentro do teu
sabe a terra, a gente, a pasto

torna o sumo de dentro
no centro da tua
torna nus a gente num espaço

trago teus braços de pedra
transparente, como em neruda
trago te dentro do abraço


dorme a tarde de abril
tranquila, em saciados
dorme o desejo mais vasto

faço teu quarto do meu
mil horas, de um rato
fazes a lua do sol: mormaço


sábado, 9 de abril de 2011

neguinha de Ogum

minha rotina
minha retina
minha renitente e ranheta rotina pregada na retina
todo dia,
da hora que eu acordo
à hora que durmo profundo
e (até) daí por diante
é
sonhar só
com você

ah! neguinha
reina das minhas rendosas horas de amor ruminante
ai, neguinha linda
rainha sorridente
do meu coração contente
rainha, imperatriz, presidente
de minhas horas
calmas
e as ardentes

sofro um pouquinho mas é de saudade
mas só a possibilidade
de uma hora dessas
de um dia ou outro
te ver, falar, tocar, te ler
de ouvir teu batuque
no meu feicebuque
me deixa um outro
me acalma um pouco
me acaricia a alma de vez

ah! neguinha
dona da minha rotina
imagem ocupante
da minha retina
renitente deusa brilhante
dos meus dias, do meu tempo
do meu trabalho e do meu lamento

ah! neguinha
filha de terreiro
cabocla, guerreira
coração veloz e valente
que cai, que cai e levanta
no tablado rodopiante
de um amor errante
filha de ogum ou de algum
deus estonteante

ah! neguinha
se eu amei na vida
como eu amo agora
se eu amei alguém
como eu te adoro
foi exato você menina
na estrada antiga
de ser neguinha
minha longa amiga

(pra sempre minha longa amiga e amante)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

as mãos e as bocas



bocas abertas no dentista
desdão as mãos no trabalho

qual outra mão que tu destes? (diz a mão)
que outra boca beijastes? (diz a boca)

mas é mentira e se calam
(guardam os medos nos bolsos)

buscam as bocas silêncios
mostram-se as mãos maternais 

a mão
enlaça o mundo, enlaça a mão do menino

a boca
engole a vida aos dois, e engole a boca

a pele das mãos no toque
trocam de pele as mãos

o gosto das bocas juntas
jantam-se a gosto as bocas

improvisam um orifício
no quente degelo global

a mão na mão forma um arco
boca com boca um contorno

descem medos pelo ralo
e a menina caiu pelo vãozinho

domingo, 3 de abril de 2011

Zarzuela


quando eu pensei que é triste o passar das horas, das horas
tudo sempre nunca, hoje
onde eu deixara ficar os cantos dos espaços vazios, vazios
todo lugar é nada, aqui
e ela vem cheia ela mesmo enchendo a mim cada passo a passo
o corpo que é copo por ser copo
e é copo por ser vazio
e ela nos vem entornando assim em ternura forte, quente, quente
a cada com passo passionando
os sete lados
deste lado
de nós
antes des atados
e ela vem zonza, reina, tonta, bela, zarzuela, zarzuela
a cada compasso passionando
os sete lados
deste lado
de nós
otros agora

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Jesus e Madalena


jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena









crianças entre crianças
duas vidas pela frente
no futuro do menino
a menina é o presente

jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena

crianças sobre crianças
são tantas (e tão certeiras!)
olhando pra todo lado
pra nós, pra vida inteira

jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena









mas nós dois é só um canto
da varanda atrás da lua
menina e menino vestidos
com essa ternura mais nua

jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena

sentada a menina olha
a própria beleza estampada
nos dois olhos do menino
que miram ela e mais nada

jesus acorrentado,
sem apóstolos nem novena
num sítio ermo deitado
no colo de madalena









a mão da menina pousa
na mão quente do menino
beijos dele nela aquecem
os dois amantes dormindo

terça-feira, 8 de março de 2011

Poema pra toda e qualquer mulher


Há quatro flores bonitas no meu jardim:
você,
minhas meias coloridas (que contam então duas beldades),  
um cafezinho que tomei na agência

Mas ai, não sou bom jardineiro!
você deixei me levar,
as meias devolvi pra minha filha
o café derramei no meu patrão.



Há quatro frutos maduros no meu quintal:
você,
as mangas da minha camisa (perfazendo então duas delícias);
e um tremendo abacaxi selvagem

Descasco você ou as mangas?
você é doce e azeda
as mangas desfiam arregaçadas
o abacaxi eu me diz: sumo



Há quatro nações soberando meu mapa:
você,
Sérvia e Montenegro (que hoje somam exatos dois);
e a brasileira que me ufano vivendo

Uma verdeamarela a razão, outras duas conheço de nome.
E você, sabe o que acontece? 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

III Seminário Ciências e Cognição

e
I Encontro Ciências e Cognição
Tema: Novas Fronteiras Cognitivas 

Rio, 16 a 18 de março de 2011

O III Seminário Ciências e Cognição: Novas Fronteiras Cognitivas volta-se para a promoção da articulação de ideias, experiências e conhecimentos entre os professores, pesquisadores, acadêmicos e profissionais das áreas de educação e neurociências. Com este propósito, o NuDCEN (Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências), da UFRJ, e a revista científica Ciências e Cognição, da Organização Ciências e Cognição, organizam e apresentam o evento. Local: Casa da Ciência - R. Lauro Müller, 3, Botafogo, Rio de Janeiro - RJ


mais informações no site do III SCC
 

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